Sou rude como as embarcações
E velho feito às conchas do mar
Trajado pelo sangue dos peixes
Não agrado as sedosas francesas
Já dizia minha falecida madrasta
Não sou digno nem de prostitutas
Talvez monstros me bolinassem
Se eu resolvesse tomar um banho
Navego através de águas perigosas
Comandando marujos gananciosos
Interessados em paixões mundanas
E afogados em canecas destiladas
Não tenho moradia perfumosa
Muito menos olho de mármore
Viajo pela estrada dos tubarões
Matando almirantes por diversão
No verso do diário de bordo
Risquei as coordenadas de Lis
Ilha onde encontrei “a vulgar”
Em lasciva nudez pecaminosa
Com lábios de frutos marinhos
E seios ondulados de caravelas
Surgiu a cruz da minha luxúria
Metade mulher, completa sereia
Sou o Capitão dos delírios
E não passo de um fantasma
Que segue as brisas errantes
Imaginando o que é o amor
Autor: Eriol |