O prazer vem de baixo
E os anjos que não são de ferro
Decidiram cair na folia
Por não gozarem da animalidade
Nem desconfiam da língua solta
Desconhecem o gemido virgem
Tão comum atrás dos trios elétricos
Do nada um primeiro encontro
Um João no íntimo de Maria
A velha preservação da espécie
Que venha a próxima esquina
Com pandeiros hipnóticos
Que repicam libidos no ar
As Evas arrastam a multidão
Como verdadeiros abre-alas
Açoitados pela capoeira da sedução
Tiveram que tocar seus berimbaus
Para embalar o ritmo traiçoeiro
Pena o Satanás denunciar a legião
Constrangidos ajoelharam e rezaram
Pedindo absolvição pelo leite derramado
E foi com santos fantasiados de pecado
Que o carnaval angelical virou cinzas
Autor: Eriol |